Caso: o Turco na Alemanha



Da série Cuidado na estrada!




Estávamos eu e minha prima numa grande cervejaria de Munique (Hofbräuhaus). Como já estava fechando o estabelecimento, íamos sair dali e ir para uma outra casa de entretenimento noturno.

Ao sair do local, pagamos a conta ao garçom pouco paciente (ou nada) e passamos em frente à bandinha que tocava música alemã tradicional ao vivo e decidimos tirar uma foto. Um grupo de jovens teve a mesma ideia e pediu minha prima que batesse o retrato. Eu fiquei ali de lado segurando nossas bolsas e casacos enquanto ela se entendia com a máquina desregulada do pessoal. Nisso, o garçom (agora bem amigão) chega perto de mim com um senhor estilo “Seu Barriga”, menos gordo e mais alto, eu só olhei e deixei os homens falarem.

O garçom, auto intitulado "intérprete", veio confirmar nossa nacionalidade e logo depois apresentou o cover do Sargento Garcia que rapidamente revelou na sua retaguarda mais uns quatro homens (de idades variadas). Era um turco cujo nome nem foi captado por meus ouvidos. Falei que além do sorriso frenético, ele tinha (aliás, não tinha) os dentes laterais em falta? (pense no Tiririca).

Eu bem séria, continuei deixando o circo se armar, fiquei curiosa para saber o plano deles. Ele balbuciava coisas em turco para o "intérprete". Me elogiaram, eu agradeci. Perguntou se eu queria beber alguma coisa. Eu disse que a cervejaria já estava fechando e que ia ficar pra próxima (nunca seja rude, evite conflito em terras alheias). Perguntou se queria ir para algum lugar, qualquer um...eu poderia escolher. Eu disse que infelizmente já estávamos indo para um local encontrar um monte de gente (agora você valoriza, diz que está numa excursão de MMA com seu namorado) e que inclusive estávamos atrasadas. Minha prima chega junto e em menos de 2s, saca o que tá rolando. Ele insiste, e o garçom por conta própria, e completamente pasmo, me fala quase em segredo: “Vai, ele é rico!”.

Bom, veio umas 30 zilhões de coisas para falar naquele momento, mas soltei um: "Que bom, mas não precisamos disso." Ele traduziu a negativa para o velho turco-nojento-velho-horrendo, ele não gostou muito e insistiu mais. Não tem coisa mais irritante do que uma pessoa que não se liga em onde tem que parar? Que situação! Eu ainda disse (que nojo): "Vocês querem tirar uma foto? Uma foto pode ser!" Quando o garçom falou “foto” para o asqueiroso, a reação foi a mesma de um turco ouvindo um: “Pague o aluguel!”. Ele abominou a ideia, disse que foto não podia de forma alguma, palavras do garçom: “Foto não, foto não...problema no país dele, ele é político, é casado.”. Fizemos uma cara de “que pena” e saimos voando dali olhando em todas as direções e todos os lados.

O filho da mãe do garçom deve ter ido lá na mesa dos trouxas vender a gente - e tem gente que duvida do sucesso das 'Brasileirinhas'...hauhauauhauhauhauhau - (trocadilho mais infame!). Provavelmente ele ia ganhar o trocadinho dele. E se fossem mulheres do business (ou pretendentes dele), também não teriam perdido a oportunidade de dar um passeio com uma escala na loja Tiffany mais próxima.

Detalhe: ficamos sem a nossa foto com a banda.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Zoo Luján de Buenos Aires: a pior coisa para se fazer na vida

Balada em Punta del Este, no Uruguai

Balada em Cartagena de Índias, na Colômbia