Encomendas: fazer ou não fazer?




É sempre legal ver um amigo embarcando de férias e lembrar de algo que queremos muito comprar mas por algum empecilho não podemos obter aqui mesmo no Brasil. Às vezes custam caro, às vezes não existem no nosso mercado e muitas vezes existem, mais o que é importado é sempre melhor (?).

O problema dessa história toda, é que muita gente não entende muito bem como funciona a sinergia entre a viagem + malas + dinheiro + aeroportos + leis + cias aéreas, e muitas vezes o “contrato de favor” vai por água abaixo. É bom entender mais ou menos tudo antes de sair pedindo presentes e encomendas para pessoas que não são seus pais, padrinhos, irmãos, melhores amigos, namorados e afins. Torça para que ele faça a pergunta “Devo trazer algo para você?”, se não fizer, meu amigo, dê uma olhada nos tópicos a seguir:

Viagem

Dependendo do que se pede, pode ser que você gere um certo incômodo na viagem da pessoa que pode ter que desviar seus planos iniciais atrás de algum produto que ou está muito caro, ou não é fácil de achar ou não está nos moldes da encomenda. Ela acaba se preocupando demais em trazer e fazer a coisa certa, o que pode comprometer algum dos planos da própria viagem.

Dica: Certifique-se de encomendar coisas de fácil acesso, se puder já pesquisar os locais onde podem ser encontrados é melhor ainda. Dê todas as especificações de cor, tamanho, preço e variações (sempre existem umas 30 que nem você sabia) para que isso também não seja um problema para o sacoleiro solidário.

Malas

Ironicamente é um dos quesitos que mais pesa. Todos temos um número exato de malas que podemos carregar. Elas podem ser do tamanho de um contêiner, mas precisam estar dentro do peso estipulado (geralmente: uma mala de mão com até 5kg e duas malas despachadas com até 32 kg) ou alguém vai pagar uma grana boa com excesso de peso. O peso e o espaço das malas valem tanto quanto o metro quadrado no setor Noroeste em Brasília. Lembre-se que nada é pequeno demais para uma mala.

Dica: Se a sua encomenda for pesada ou ocupar muito espaço, é melhor pensar bem antes de pedir ao seu amigo. Ele vai ter que abrir mão das coisas pessoais para colocar as suas no jogo, simples assim.

Leis

Um fator que conta demais são as leis e regras da Receita Federal sobre importação de produtos. Existe uma série de números permitidos de objetos que podem ser trazidos numa viagem, fora a modesta cota de produtos eletrônicos (U$ 500) que cada passageiro tem direito.

Dica: Se sua encomenda for algo eletrônico, procure saber se o viajante tem intenção de trazer na mala outros eletrônicos e, no caso, cederia uma parcela da cota dele para o seu badulaque. Em todo caso, assuma o risco dele ser pego ultrapassando a cota e garanta o pagamento posterior da multa e os impostos ao amigo laranja.

Aeroportos

Uma das coisas que mais dão trabalho numa viagem é o carregamento das benditas malas no tempo-aeroporto e deslocamento entre cidades. Gasta-se muito tempo zanzando entre as suas dependências arrastando e suspendendo malas para cima e pra baixo. Sem falar que, de repente, a pessoa pode até ser prejudicada por estar chamando muita atenção ao carregar tanta parafernalha.

Dica: Procure não ousar na encomenda com materiais que necessitam de toda uma atenção de transporte ou que sejam muito pesados para o manejo braçal de terceiros.

Cias aéreas

Infelizmente temos que obedecer às regras das companhias que possuem restrições de objetos que podem ser ou não carregados nas malas de mão e nas que serão despachadas (líquidos, materiais perigosos, remédios, cigarros, comidas...).


Dica: cuidado com o que será encomendado para não prejudicar seu amigo viajador. Coisas muito sensíveis e frágeis podem dar problema, já materiais proibidos ou suspeitos é melhor que fiquem na sua responsabilidade quando você for viajar.

Dinheiro

Pouca gente entende como deveria funcionar o acerto entre as partes quando assunto é o money. Por mais que sua encomenda não seja muito cara, não é justo pedir que ele retire do montante dele (já completamente planejado) uma quantia X, mesmo que depois da viagem você o ressarça. O dinheiro lá na viagem tem muito mais valor do que aqui no Brasil. Então para ele é um péssimo negócio mesmo que o dinheiro seja reavisto. Pedir que seja usado o cartão de crédito também tem algumas restrições porque envolve a questão do limte.

Dica: O mínimo de senso é sempre fazer a encomenda com o dinheiro na moeda em questão anexado, e olhe lá. Lidar com o dinheiro dos outros pode ser chato. Dessa forma, você reduzirá intervenções negativas na rotina de viagem do seu querido amigo (burrico de carga).

Eu mesma não me importo em trazer encomendas desde que não me causem preocupação (seja ela qual for e onde for) e não comprometa a minha reserva financeira. Resumindo, a maior dica é ter certa noção da natureza do pedido e tentar diminuir ao máximo qualquer incômodo à pessoa que vai viajar. Pense se o favor realmente é pertinente pois o simples fato de trazer a encomenda não chega nem perto do trampo que na realidade pode ser ao seu amigo, afinal de contas você e 85% do Facebook dele tiveram listinhas encaminhadas.

Viajar com listas, sinceramente, é um pouco chato, eu não dou conta nem da minha própria lista para arrumar a mala antes da viagem...já passei uns momentos irracionais de deixar para trás meias, calcinhas, blusas, calças e bolsas antigas que simplesmente não cabiam ou aumentavam o peso da mala...complicado, viu. Sem falar que é um dedo no olho viajar com alguém que o tempo inteiro está preocupado em comprar itens da sua lista de encomendas de outrem.

Tentando seguir um pouco essas dicas, você com certeza vai diminuir consideravelmente o risco de levar uma resposta negativa ao pedido e ficar sem o brinquedinho importado. E se levar um “não”, entenda que não é nada pessoal, é a mais sincera e pura verdade.

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