Caso: A pegadinha de voltar de ônibus da balada em Cancún

Da Série Cuidado na Estrada!


Era noite e estávamos hospedados no resort Park Royal Cancún, em frente ao Shopping La Isla, na Zona Hoteleira, naquela pista super extensa que dá acesso a todos os hotéis de Cancún, a Blvd Kulkucan. Na sua "ponta" norte está o concentrado de restaurantes, barzinhos e boates tão famosos da cidade. 

Nessa noite decidimos ir até a Glow Party no Señor Frogs de ônibus, só eu e o Matheus. Eu já tinha ido a Cancún e logo o convenci de pegarmos o transporte na parada em frente ao hotel já que é super tranquilo (todo mundo faz isso) e custa muito barato, tipo 1 dólar ou alguns poucos centavos de pesos mexicanos. 

A ida foi bem fácil, logo chegamos no burburinho e na primeira parada descemos para curtir a festa das tintas. A noite foi bem divertida e deu para ele perceber que aquelas baladas são muito americanizadas e pouco se percebe de México em tudo (talvez só na tequila). Eram muitos turistas, muitos dos EUA, nenhum mexicano e pessoas de todos os estilos, looks e aspectos. Enfim, jantamos, ficamos para a festa e depois decidimos ir embora. 

"Vamos pegar o ônibus de novo para voltar para o hotel", eu disse. Em relação à segurança ficamos bem tranquilos porque sempre tinha muita gente nesse circuito do "chegando e saindo". Na madrugada  adentro rola até uma fila para entrar nos ônibus de volta para os hotéis.

Saimos do Senõr Frogs e, na pista na direção contrária da que chegamos, esperamos pelo ônibus. Ele chegou, entramos e sentamos. 

Esquisitice 1: não tinha fila pra entrar;
Esquisitice 2: Poucas pessoas no estilo pós balada subiram;
Esquisitice 3: Não tinha um carinha com violão tocando "La bamba" pra animar o pessoal e ganhar moedas;
Esquisitice 4: O ônibus percorreu o resto da Zona Hoteleira e não fazia o retorno em direção ao nosso hotel nunca!

Estávamos calados e o Matheus só curtindo a viagem sem sonhar na treta que eu já tinha percebido que tava rolando. Não quis entrar em pânico e esperei até o último retorno para começar a lacrimejar. Quando o ônibus não fez o retorno, e foi ao centro de Cancún adentro o meu alerta "Cuidado na Estrada" acendeu tipo a reserva do carro. Pra piorar eu dei um look nos passageiros e todos tinham cara de mexicanos e falavam espanhol, ou seja, eram os trabalhadores voltando para casa. 

"Gente pra onde estou levando meu namorado a essa hora da noite? A gente só queria dormir pra acordar cedo amanhã!!!", pensei eu. Falei para o Matheus ir lá perguntar ao motorista num espanhol digno se ele não estava indo para Zona Hoteleira, ele pediu pra eu ter calma e esperar mais um pouco. Claro que não me segurei e fui lá perguntar tudo isso na língua que eu mesma inventei. Ele disse para descermos imediatamente e esperar o ônibus número X, pois aquele estava indo para vários outros bairros de Cancún e não para os hotéis. 

Descemos, e junto com a gente uma mulher esquisitaça que estava acompanhada de um cara muito suspeito desde o Señor Frogs (eu reparei). Fiquei mais segura quando ela desceu, mesmo suspeitando desde a balada da profissão dela. O ponto estava vazio pra caramba, escuro, sinistro e logo o casal do bussiness foi embora. Nosso ônibus não passava nunca, cada segundo valia por 10 minutos. Comecei a ficar com frio, meu vestido tava curto pra caraca, e o Matheus só ria. 

Finalmente o ônibus chegou e a parte boa foi ter que passar de novo lá no burburinho da balada e não precisar competir para sentar no ônibus que lotou em 3 segundos. Depois de quase uma hora nessa brincadeira, chegamos ao hotel sãos e salvos. 

Dicas: 
  • Não ande com o dinheiro contado da passagem;
  • Desconfie se no fim da noite o ônibus estiver "vazio";
  • Desconfie se não tiver música ao vivo no ônibus da volta;
  • Quando for pegar o ônibus de volta para Zona Hoteleira, caminhe até o outro lado do quarteirão. Não pegue o ônibus na pista contrária de onde desceu na chegada. 
  • Antes de entrar pergunte ao motorista de se está indo para Zona Hoteleira ou o nome do seu hotel;
  • Não confie totalmente no(a) engraçadinho(a) que diz saber de tudo só porque já foi;
  • Vá e volte de ônibus para as baladinhas, custa barato, passam toda hora, são seguros, são rápidos, são bons locais para fazer amigos e são muuuito divertidos. 

             

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