Caso: Pau Brasil Pauleira em Paris


No cair da noite estávamos ali na região do Palays Royal e decidimos parar num café para admirar o vai-e-vém das ruas parisienses. Eu e minha prima tínhamos acabado de sair do esquisitóide (parece uma construção parada) Pompidou e o objetivo era descolar um lugar bacana para acabar aquela linda noite que se aproximava. Escolhemos o Café da Galerie de Chartres, inclusive o mesmo em que esteve Angelina Jolie numa cena para o filme “Turistas”, e sentamos em uma de suas mesinhas viradas para a calçada. Garimpamos no cardápio nossas bebidinhas aperitivas, minha prima ficou com a Tequila Sunrise e eu, no âmago do meu amadorismo coqueteleiro, e como se escolhe o sabor de chiclete, pedi a Absolut Raspberry (framboesa). Pois a noite começou assim, com tequila e com uma dose caprichada de vodca pura na moleira. Depois de vários risos, fomos analisar o panfletinho que ganhamos num banheiro psicodélico de algum lugar que entramos durante o dia. Era a propaganda/convite de uma festa para aquela noite.

Aline: Será que isso vai ser legal?
Clarissa: Aline, é grátis para mulheres, tem a palavra "sexy" em caixa alta, um carrão e uma put* na foto...o que você acha?

Panfleto da festa

Continuamos o levantamento de opções e (ainda entrando no ritmo de produção de roteiros) minha prima tinha lido num site antes de viajarmos que um local com nome que levava a palavra "Brasil" era muito bom e super indicado pelas pessoas (informações práticas nota zero). Assim como estudantes fazem vaquinha pela conta da sorveteria depois da aula, fomos jogando na mesa todas as palavras conhecidas em francês que pudessem compor uma frase. Frase essa que seria dita ao taxista que nos levaria até o tal bar. A Clarissa contribuiu com palavras úteis tipo “direita” e “esquerda”, já eu não sai do “abajur” e do “la belle de jour” (hit do Alceu Valença). Meu ipod foi quem contribuiu mais, e saimos do café com olhos bem abertos para o taxista-vítima da vez. Ele era um chinês/japonês/tailandês/coreano ou afins, e na pressão de ter parado na rua já mandou logo a gente entrar no carro para depois negociarmos o destino da corrida.

Com nosso francês digno de uma turma de alfabetização, o motorista pareceu ter entendido a mensagem e tocou o carro em frente. Em determinado ponto falou pra gente descer, andar até a esquina e virar à direita, ele não iria pois era “contramão”. O lugar era mega deserto mas fizemos o que ele disse e chegamos num portão de ferro com um display ao lado (estilo “filmes em cartaz no cinema”) e mais uma câmera de segurança. O pôster era do local que se chamava “Pau Brasil Carbaret” (wtf?). Ao seu lado tinha uma porta fechada, tocamos a campainha e em 5 minutos um segurança a abriu. Ele só falava francês e quando viu que éramos brasileiras pediu que entrássemos pois lá dentro outras pessoas falavam português, o dono do restaurante. Ele nos cumprimentou e parece que o show estava para começar. Pediu um minutinho. Nisso o elenco do show começou a sair do camarim e se alongar do nosso lado...uns homens e mulheres sarados e com roupa de escola de samba. Uma delas nos cedeu mais atenção e deu dicas pra gente chegar até o metrô e irmos embora. Do nada, essa moça encarnou o personagem ainda falando com a gente e começou uma dança que parecia uma cobra se contorcendo, jogou o cabelo para o lado e entrou em cena. Era um restaurante temático que fazia apresentações – que estavam mais para o tema África (veja aqui um aperitivo). Hilário. Ficamos lá um tempinho vendo aquele circo e com a simpatia engatada na 5° marcha com o dono do restaurante.

Acabamos abortando o plano de ir ao lugar com “Brasil” no meio do nome já que ninguém o conhecia. Vimos no mapa que estávamos perto do Arco do Triunfo, então seria uma boa ideia darmos uma caminhadinha (apesar do deserto da região e horário) e ir até lá tirar umas fotos com a iluminação do Arco à noite. Também poderíamos pegar o metrô na estação que fica colada nele. Foi definitivamente o melhor ganho da noite.

No outro dia, demos muita sorte e fomos para o Favela Chic, que por sua vez é motivo de muito orgulho brasileiro. É acessível, agitado, lotado, badalado, divertido e tudo que se pode esperar de uma balada brasileira que atrai os franceses (e suíços) em peso. Também tem Favela Chic em Londres, prometi a um dos sócios (único falador de português) que com certeza iria visitar. 

A pesquisa sobre os nomes dos locais envolvidos no post foram uma guerra sangrenta pessoal. Muito obrigado Google Maps e Street View.

Comentários

  1. Hahahaha!!! Ri demais lembrando desta história!!!
    Ainda me lembro de todas as palavras francesas que conseguimos juntar...
    Esque vuuu saveeez uêêê Budda Bar???
    E não posso deixar de salvar a reputação arquitetural do post: Pompidou rocks!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Era o Buda bar? Isso eu não lembrei de jeito nenhum...num era algo q tinha Brasil no meio não!? Pq o tonto largou a gente lá no muquifo brasileiro meooo???

    Kkkkkkk

    ResponderExcluir
  3. Pqp....passei por essa merda de bar ontem...estava eu aqui no google procurando lugares bacanas...achei por indicaçao de vcs..e ainda li uma historia engraçada...kkkk...obrigado

    ResponderExcluir
  4. Rafael você foi no Favela Chic???
    hehehehehe...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Zoo Luján de Buenos Aires: a pior coisa para se fazer na vida

Balada em Punta del Este, no Uruguai

Balada em Cartagena de Índias, na Colômbia