Caso: Corrida com obstáculos e malas na Alemanha

Da Série Cuidado na Estrada!





Pense numa pessoa desmantelada, essa pessoa sou eu. Essa história é maravilhosa e aconteceu na Alemanha, especificamente na viagem noturna de trem entre Berlim e Colônia (Koln). Esse foi o único trem que compramos bilhetes para cabines privadas. Eram cabines para seis pessoas (privada pra caraca) e que por um acaso eu não indico. Achamos nossa cabine (que já estava lotada), foi um caos acomodar nossas bagagens (dois mochilões e mais algumas malas de rodinha) e tentar relaxar (a pretensão era dormir) sentadas com aqueles 4 estranhos no mesmo ambiente. 

Numa certa hora os estranhos desceram e ficamos somente eu e minha prima Clarissoca na cabine, não hesitamos em deitar nos bancos transformando-os em camas. Não imprimimos o itinerário das estações para sabermos mais ou menos quando deveríamos descer, então o esquema era ficar de olho nas placas todas as vezes em que o trem se aproximava de uma estação. Ou seja, saberíamos onde descer apenas quando o trem estivesse parando, de fato, na nossa parada. O tempo para embarque e desembarque é muito curto, é meio que um "salve-se quem puder". Decidimos dormir em turnos, porque alguma das duas deveria estar acordada para saber em qual daquelas mil estações que parávamos era a nossa. 

Eu estava no meu turno de sono sonhando com nuvens e algodão doce. Senti "do nada" uns tapinhas no ombro. Era a Clarissa dizendo: “É aqui!”. Essa foi a largada! Eu - sendo observada em silêncio pela minha prima - levantei (ainda dormindo) e em frações de segundos, sem hesitar, vesti meu casacão de frio, enrolei o cachecol no pescoço, coloquei minha mochilona nas costas, peguei as duas malas de rodinha (uma em cada mão) sai andando para porta de saída do trem e pulei! Pulei. Minha prima continuou de longe só observando. Tinha dois degraus para sair, eu pisei em apenas um e saltei direto na plataforma. Como estava com a mochila de num sei quantas arrobas nas costas, desestabilizei, sai cambaleando uns 500 metros, joguei a mala da mão direita pra um lado, a da mão esquerda para outro e tentei um malabar com a mochila nas costas. 

Infelizmente tinha um rapaz no meio do caminho. Ele estava ali tranquilo quando a porta do trem abre e sai uma louca jogando coisas para todos os lados. Ele ficou apavorado, não sabia se pegava minhas malas, se me acudia ou se saia do caminho. Acho que depois dessa loucura eu acordei de verdade. 

Depois da cena, sai minha prima na maior calma e devagareza do mundo que nem uma lady do vagão se matando de rir de mim, das minhas coisas espalhadas por todos os lados e do pobre rapaz que teve uma descarga forçada de adrenalina pelo corpo. E foi assim que eu aprendi a jamais intercalar degraus de escadas, principalmente com um mochilão na coluna, e a descer que nem gente de um trem na Europa.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Zoo Luján de Buenos Aires: a pior coisa para se fazer na vida

Balada em Punta del Este, no Uruguai

Balada em Cartagena de Índias, na Colômbia